| Fonte: Mia Serra |
Eu te desenho em mil palavras que
não posso compreender, eu te encontro em cada suspirar do vento nas folhagens e
ainda não posso compreender.
Quem é você que me atormenta, que
me tira o sossego, que me faz rir feito criança, mas me aterroriza como a escuridão
vazia da noite.
Onde posso te buscar além de aqui
dentro desta nuvem densa, que embaça meus olhos e meus pensamentos.
Onde posso te sentir além de
dentro de mim mesma? Quem é você que tirou o sossego que achei que havia
encontrado dentro de minha própria tormenta?
Eu quero olhar em seus olhos para
ver se sua alma é tão minha quanto a minha é sua, e se essa intensa sensação é
real.
Eu preciso respirar e entender
que as escolhas são minhas, que eu decido se vou em busca de seu coração, mas
não me decido, não me encontro, não me aceito.
Não quero novamente deixar que a
vida se encarregue de me mostrar o caminho, sem que eu ao menos tenha tentado
por mim mesma.
Eu não te esperava, mas eu queria
te encontrar, e agora o misto da alegria se mescla com o horror. Horror de não
saber, de não compreender, de me sentir em suspenso tantas vezes, sem ser dona
de mim.
Você diz que ama o meu entregar
sem medo, mas eu me lanço em suas profundezas, aterrorizada, sem saber onde vou
pousar a espera que estenda seus braços e me acolha.
Mas eu não quero, eu luto contra
esta vertigem que me assola e me lança para seus olhos infinitos.
Eu queria não sentir, queria
poder dizer que agora eu sei, sei o que quero, o que busco, mas eu não sei, eu
não sei.
Eu sonhei com você, eu sabia quem
era você quando te encontrei, mas agora as lembranças tardias se revolvem em
mim, eu quero você, mas eu não quero sofrer... Não quero ver você partir, não
quero ver você dizer adeus.
Cada reencontro é como se eu
enfim pudesse respirar o seu ar, e só então pudesse voltar a viver.
Eu não quero mais ouvir suas
conversas, não quero mais sentir seus sentimentos quando você não está aqui.
Eu me sinto viciada em você,
obcecada por você, por seus olhos, por seu amor. E isto não pode ser normal.
Eu me sento a porta, e espero,
espero você voltar sabendo que um dia virá em que a porta se fechará e você não
estará lá.
Mia
07/2014
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