domingo, 20 de julho de 2014

Ela

As portas se abriram, o que ela viu foi apenas o vislumbre do jardim sereno, balançando ao sabor da brisa quente daquela tarde.
Ela colocou os pés para fora sentindo o sol queimar-lhe os dedos descalços, a brisa sacudiu seus cabelos soltos, como braços revoltos de polvos no mar profundo. Ela não sabia o que encontraria lá fora, somente sabia que já não poderia mais voltar. Sabia que seu mundo já não estava mais dentro daquelas paredes seguras e frias, seu coração palpitava, sua mente inquieta buscava entrever por entre os fragmentos de luz e sombra o que esta porta poderia lhe mostrar.
O que viu foi tão somente um reflexo de si mesma na água parada do lago coberto de folhas secas, galhos soltos e mato alto. O jardim havia sido relegado por muito tempo a um segundo plano, era incrível que a vida ainda se mantivesse latente em cada recanto esquecido e ignorado no tempo.
Ela sabia que aquele seria somente o primeiro passo, mas para onde a levaria ainda não poderia saber.
Fonte: Google
Nas paredes nuas e quebradiças do muro ela viu as sombras dele que se foi e seu coração doeu, mas lá havia também o vazio de um alguém que um dia poderia chegar, se este seria o amor para a vida inteira, ela não poderia dizer. Ou quem sabe outros amores ainda poderiam chegar da mesma maneira para depois partir, mas seu coração lhe dizia que apesar do medo, apesar da tristeza pela nova batalha, ela se alegrava, por poder sentir tudo outra vez, a ansiedade da espera, a dor do não saber. Mas ai lembrou-se que sempre fora assim, que nunca houve certezas em sua vida, apenas o silêncio da resignação.
O que devo agora buscar? Serei a valente amazona pronta para lutar, ou serei a princesa encastelada esperando um príncipe chegar, ou ainda serei aquela camponesa que carrega o fardo junto ao seu amor? Quem serei eu nesta nova estrada?
Ela via que seus cabelos escuros agora já não eram tão escuros assim, mas seu coração palpitava de uma juventude que ela nunca sentira, porque sempre fora envelhecida, como as árvores da colina curvadas sob a força das tempestades. Seus galhos agora seriam capazes de tocar o céu, ou ela passaria a vida contemplando um sonho que se desfez antes mesmo de começar?
Ela seria capaz de compreender a si mesma, e aceitar que poderia voar desde que encontrasse forças para desenrolar suas asas sob aquele sol quente que fazia o sangue frio de suas veias pulsarem mais uma vez?
Ela se olhou no lago, e sabia que ainda estava ali, presa dentro daquelas águas escuras esperando por renascer, e que o silencio em sua alma era a espera para ouvir sua própria voz que teimava em não sair...
E ela viu então que as lágrimas corriam de seus olhos vazios, que lágrimas de pedra quente rolavam por sua face, caiam a seus pés deixando uma trilha de fogo que queimava o solo ressequido de sua alma.
O fogo não era uma tragédia, o fogo seria sua salvação, pois finalmente permitiria descongelar aquele solo meio morto, que suspirava esperando uma oportunidade de rebrotar, e o fogo o aliviou das chagas antigas na tormenta que se deu.
As labaredas consumiam tudo a sua volta, rolando por suas vestes como se as limpasse de todo o peso carregado por tanto tempo. Ela sabia que só poderia se libertar de si mesma quando compreendesse que tudo foi uma preparação para um novo dia, para uma nova historia que ela viera construindo até ali, uma porta para permitir enfim que o mundo adentrasse seu coração, ela permitiu ao fogo avassalador que ruísse suas ultimas paredes, que tragasse suas ultimas reservas de resistência para que ela finalmente pudesse olhar o mundo!

Mia 07/2014  



sábado, 19 de julho de 2014


Fonte: Mia Serra


Vou ainda sentir tantas vezes tua falta, que talvez não me de conta do dia em que acordar e não mais lembrar-me de ti, a não ser como uma história linda, que não aconteceu!

Mia

07/2014

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Eu te desenho



Fonte: Mia Serra

Eu te desenho em mil palavras que não posso compreender, eu te encontro em cada suspirar do vento nas folhagens e ainda não posso compreender.

Quem é você que me atormenta, que me tira o sossego, que me faz rir feito criança, mas me aterroriza como a escuridão vazia da noite.

Onde posso te buscar além de aqui dentro desta nuvem densa, que embaça meus olhos e meus pensamentos.

Onde posso te sentir além de dentro de mim mesma? Quem é você que tirou o sossego que achei que havia encontrado dentro de minha própria tormenta?

Eu quero olhar em seus olhos para ver se sua alma é tão minha quanto a minha é sua, e se essa intensa sensação é real.

Eu preciso respirar e entender que as escolhas são minhas, que eu decido se vou em busca de seu coração, mas não me decido, não me encontro, não me aceito.

Não quero novamente deixar que a vida se encarregue de me mostrar o caminho, sem que eu ao menos tenha tentado por mim mesma.

Eu não te esperava, mas eu queria te encontrar, e agora o misto da alegria se mescla com o horror. Horror de não saber, de não compreender, de me sentir em suspenso tantas vezes, sem ser dona de mim.

Você diz que ama o meu entregar sem medo, mas eu me lanço em suas profundezas, aterrorizada, sem saber onde vou pousar a espera que estenda seus braços e me acolha.
Mas eu não quero, eu luto contra esta vertigem que me assola e me lança para seus olhos infinitos.

Eu queria não sentir, queria poder dizer que agora eu sei, sei o que quero, o que busco, mas eu não sei, eu não sei.

Eu sonhei com você, eu sabia quem era você quando te encontrei, mas agora as lembranças tardias se revolvem em mim, eu quero você, mas eu não quero sofrer... Não quero ver você partir, não quero ver você dizer adeus.

Cada reencontro é como se eu enfim pudesse respirar o seu ar, e só então pudesse voltar a viver.

Eu não quero mais ouvir suas conversas, não quero mais sentir seus sentimentos quando você não está aqui.

Eu me sinto viciada em você, obcecada por você, por seus olhos, por seu amor. E isto não pode ser normal.


Eu me sento a porta, e espero, espero você voltar sabendo que um dia virá em que a porta se fechará e você não estará lá.

Mia
07/2014

Que droga esse amor!


Eu prometi a mim mesma que não diria jamais que o amo,
Mas eu amo desta forma doida e sem sentido,
Mas o que me impede de lhe dizer se não às convenções obscuras, que nos ditam o que é certo e errado.
Estarei sendo tão teimosa assim? Estarei sendo tão errada assim?
Diga-me se você não sonha com o amor em minha cama, em minha vida, em minha alma,
Diga-me que você não quer estar ao meu lado, sem sentido, sem motivo, apenas estar.
Porque eu te amo, eu te amo de todas as maneiras absurdas que só o amor pode ter, eu te amo...
Já é tarde, e o sol desponta em meu coração, que em festa diz eu te amo, eu te amo...
E o que me importam as convenções daqueles que não sabem o que é o amor, o que me importa se eu só posso saber que te amo.
Mas eu cumpro minhas promessas, eu me esforço para não as romper, mas eu te amo, eu te amo.
E eu não posso te amar tanto assim, pois você pisará em mim sem qualquer dor na consciência, quando souber do meu amor,
Pois as pessoas querem ser amadas, mas quando encontram o amor, elas o ridicularizam,
Elas o matam por medo de se deixarem tomar nesse avassalador caminho de fogos de artifícios.
Ahhh eu te amo, eu te amo... me diz que não me ama assim a cada manhã, quando meu nome baila em seus lábios.
Você  está sendo tão covarde tão covarde!
Eu tenho pena de você!
Mas eu te amo, eu te amo tanto assim e de todas as maneiras absurdas que só o amor sabe ser...

Mia

07/2014